IRINEU — O HOMEM QUE NÃO VAI MORRER NUNCA
Por Graciano Caseiro
Lá pelas bandas da Serra do Rio da Prata, em Campo Grande, existe um homem que parece ter feito um acordo secreto com o tempo.
O nome dele é Irineu.
Homem da lavoura, trabalhador da roça, daqueles que conhecem a terra pelo cheiro, sabem quando a chuva vem só de olhar para o céu e não têm medo de acordar cedo para enfrentar mais um dia de trabalho.
Mas Irineu não é um homem qualquer.
Ele mesmo diz que é um escolhido.
Escolhido para quê?
Isso ninguém sabe ao certo.
Talvez escolhido pela vida para continuar firme. Talvez pela terra, para cuidar dela. Ou quem sabe pelo próprio destino, que resolveu fazer dele uma dessas figuras que parecem que nunca vão embora.
Porque tem uma coisa que Irineu garante:
ele não vai morrer nunca!
E não adianta tentar convencê-lo do contrário.
Irineu é relíquia!
Daquelas relíquias que a gente guarda com cuidado, porque sabe que não se fabrica mais.
Ele é homem de raiz.
E quando fala em casamento, então, a história fica ainda mais interessante.
Irineu está esperando uma mulher para casar.
Não é qualquer mulher, não!
Tem que ser uma mulher que aguente o ritmo de um homem da roça, que entenda suas histórias, aceite suas manias e, principalmente, esteja preparada para viver ao lado de alguém que já avisou que não pretende partir tão cedo!
— “Eu vou ficar para semente!”
E quem conhece Irineu sabe que ele fala sério.
Pai da Irineia, avô de Luquinha, Luan, Ingrid e de tantos outros que carregam um pedacinho da sua história, Irineu é daqueles homens que deixam marcas por onde passam.
Marcas na terra.
Marcas na família.
Marcas nas lembranças.
Ele conhece a luta de quem vive da lavoura. Sabe que a terra não dá presente sem trabalho. É preciso plantar, esperar, cuidar e acreditar.
E talvez seja justamente por isso que Irineu tenha aprendido uma das maiores lições da vida:
quem tem raiz não cai fácil.
Na Serra do Rio da Prata, entre o verde da mata, o cheiro da terra e o silêncio quebrado pelo canto dos pássaros, Irineu segue sua caminhada.
Pode passar o tempo.
Pode mudar a estação.
Pode chegar chuva, pode chegar sol.
Mas lá está ele...
Irineu!
Firme como uma árvore antiga.
Esperando sua companheira.
Cuidando da família.
Trabalhando na lavoura.
Contando suas histórias.
E afirmando, com aquela confiança que só ele tem:
— “Eu não vou morrer nunca!”
Talvez Irineu esteja certo.
Porque existem homens que, mesmo quando um dia deixam de caminhar por este mundo, continuam vivendo nas histórias que contaram, nas sementes que plantaram, nos filhos e netos que deixaram e nas lembranças de quem teve a felicidade de conhecê-los.
E Irineu?
Ah, Irineu é diferente.
Irineu é relíquia.
É homem da terra.
É homem da roça.
É homem de raiz.
É pai, avô, trabalhador e contador de histórias.
E enquanto houver alguém dizendo:
“Você conhece o Irineu?”
A resposta será:
— Conheço! Aquele homem que não vai morrer nunca!
Porque Irineu pode até ser homem de carne e osso...
Mas a sua história já virou semente.
E semente boa, quando é plantada na terra certa, não morre.
Vira história.
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