Poesia Que Retrata A Vida do Homem do Campo , da Roça e da Serra
O ROCEIRO: A POESIA QUE NASCE DO CHANCE DA VIDA
Autor: Graciano Caseiro
Vem surgindo o amanhecer na roça,
e o roceiro já se põe a plantar;
uma semente aqui, outra acolá,
na esperança de um novo brotar.
Os pássaros entoam sua cantiga,
despertando a imensa mata da serra,
enquanto o orvalho beija a terra
que sustenta a vida de quem nela trabalha.
Caboclo matuto, homem valente,
enfrenta o sol e o tempo sem reclamar.
Cultiva a lavoura com mãos calejadas,
regando de suor o próprio sonhar.
Cada fruto colhido conta uma história,
escrita com fé, coragem e dedicação;
anos de luta transformados em vitória,
plantados no coração do sertão.
Cavalo bom é companheiro do peão;
casinha de pau a pique ao pé da serra,
burro de carga vencendo as trilhas,
guardião das estradas de terra.
A cigarra anuncia a tarde de verão,
o vento dança entre folhas e capim,
e toda a natureza canta em comunhão,
como um hino de paz que parece não ter fim.
a lua prateia o velho sertão;
o riacho murmura suas orações,
a cachoeira embala a solidão.
O ribeirão segue seu caminho,
levando consigo histórias de amor,
enquanto Deus pinta, com mãos divinas,
a mais bela paisagem do Criador.
Esse é o sertão do roceiro,
caboclo simples, rico de esperança.
No radinho de pilha, uma moda de viola;
na alma, a fé que nunca se cansa.
Mesmo sem o brilho da luz elétrica,
vive iluminado pela presença do Senhor.
Cada amanhecer é um presente do céu,
cada colheita, uma prova do Seu amor.
Roceiro, guardião da terra,
teu trabalho alimenta a nação.
Teu suor é semente de futuro,
teu exemplo inspira cada geração.
Que Deus abençoe tuas mãos,
teu lar, tua família e teu chão,
pois quem planta com fé e esperança
colhe vida, dignidade e gratidão.
Homenagem ao agricultor Abel Jacintho Carreiro, homem da terra, cuja história de trabalho, simplicidade e perseverança permanece como exemplo para todos que vivem e amam o campo.
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